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Entidades têxteis de Brusque reagem à possível redução de imposto de importação

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Redação 06/02/2020 as 11:22
Entidades têxteis de Brusque reagem à possível redução de imposto de importação
Foto: Foto: Valdomiro da Motta/Rádio Cidade
Texto Economia

Entidades do setor têxtil de Brusque estão marcando posicionamento contrário ao pedido para que o governo federal reduza o valor do imposto sobre importação de produtos. A solicitação para a redução partiu da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), que representa grandes redes do varejo brasileiro e foi entregue no final do ano de 2019.

De acordo com a presidente da Associação Empresarial de Brusque (ACIBR), Rita de Cassia Conti, a medida vai atingir duramente as indústrias brasileiras do setor, que enfrentarão a concorrência desleal. A consequência de tudo vai desde o aumento do desemprego até a quebra e fechamento de empresas que serão afetadas.

“Entendemos que isso está na contramão, completamente contra a maré, contra nossos empregos e nossas indústrias. Isso pode gerar desemprego. É real, não estou fazendo terrorismo, pois vai afetar diretamente nossa região”, pontua ela.

O pedido para a  redução da alíquota do imposto foi encaminhado pela ABVTEX à Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão vinculado à Presidência da República e que tem por papel tratar das questões relacionadas ao comércio exterior de bens, serviços e turismo.

Esta manhã, representantes da Acibr, da Associação das Micro e Pequenas Empresas de Brusque e Região (AmpeBr) e do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem de Brusque (Sifitec) explicaram os motivos da tomada de posição contrária ao pleito da ABVTEX.

O presidente da AMPE, Ademir José Jorge, comenta que o pedido da ABVTEX à Camex aponta quatro tipos de itens que serão atingidos pela redução da alíquota do imposto: suéteres e pulôveres, algodão e fibra sintética e outros. O impacto seria imenso na indústria brasileiro se fosse considerado somente os itens deixados claros, mas o “outros” abre brecha para que se amplie a gama dos atingidos.

“Poderão ser importados outros produtos que são fabricados, por exemplo, aqui em Brusque e região. Com certeza, isso vai impactar na nossa economia”, disse ele.

Santa Catarina possui números que justificam a reação à medida. As indústrias têxteis do estado somam 159.501 mil empregos diretos, totalizando em torno de 32% dos postos de trabalho no estado. São 9 mil empresas com mais de dez funcionários cada.

Brusque ocupa a segunda posição no ranking das que mais produzem no setor, ficando atrás de Blumenau e à frente de Jaraguá do Sul como destaque no pólo têxtil.

Para o presidente do Sifitec, Marcus Schlosser, há problemas internos que precisam ser resolvidos com maior urgência antes de se pensar em abrir o mercado para a entrada desenfreada de produtos importados. Ao trazer itens e produtos de fora, as grandes redes diminuem seus custos internos e criam uma grande desigualdade para com as indústrias menores. Não terão, por exemplo, custo com transporte, que é um dos itens que mais afeta o custo final dos produtos na cadeia produtiva do país.

“Ainda é mais barato trazer um contêiner da China para o Brasil do que do Oeste do estado para o Porto de Itajaí, Por conta da infraestrutura das nossas estradas”, exemplificou ele.

O grupo de entidades já formalizou ofícios contrários à medida junto à própria ABVTEX, como o apoio da Associação Brasileira da Indústrias Têxtil (ABIT). Foi a própria ABIT que alertou os empresários de Santa Catarina sobre a situação.

“Temos que defender a nossa indústria nesse momento. Isso está na contramão do que vive o Brasil. Temos que ser radical nesse momento", frisa Rita Conti, afirmando que reuniões junto ao representantes federais no Congresso Nacional já estão sendo agendadas.

O que diz a ABVTEX

A repercussão o pedido feito gerou reações imediatas por todos os cantos do país. Em seu site, a ABVTEX emitiu uma nota, buscando dar sua versão acerca dos motivos para o pedido. A alegação da entidade é para que se veja a possibilidade de redução da tarifa dos atuais 35% para 16% durante um período de 12 meses ao longo de 2020.

Na nota, a ABVTEX coloca o argumento que é rechaçado pelas entidades brusquenses, de que a indústria brasileira não possui capacidade de atender a demanda de produção exigida pelo mercado.


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